Empresas de Big Tech como Microsoft, Amazon e Google estão redefinindo a soberania digital através de seus programas de infraestrutura em nuvem, oferecendo soluções modulares que transformam a soberania em uma questão técnica, legal e de infraestrutura. Em vez de ser exercida sobre as plataformas, a soberania é agora fornecida por elas, em seus termos. Isso responde a pressões regulatórias, especialmente na Europa.
E daí?
Essa mudança representa uma forma de captura discursiva, esvaziando o conceito de soberania e alinhando-o com a ideologia californiana, onde a soberania digital se torna um serviço a ser comprado e otimizado através de plataformas proprietárias. A dependência de entidades estrangeiras para acesso e controle de dados compromete a soberania plena, exigindo um posicionamento estratégico para garantir o controle sobre a infraestrutura tecnológica.
O que muda?
A soberania digital se torna um produto comercializado, influenciando políticas de governança tecnológica e exigindo uma análise crítica dos efeitos tangíveis dessa versão diluída da soberania. Países buscam alternativas para reduzir dependência tecnológica externa, impulsionando investimentos em infraestrutura de IA local e chips de produção nacional.
Se sinal crescer
Se essa tendência se fortalecer, podemos ver uma fragmentação da internet ('splinternet') com cada nação ou região buscando construir sua própria infraestrutura de nuvem soberana e alternativas open-source. Isso poderia levar a padrões tecnológicos divergentes, desafios de interoperabilidade e um aumento no protecionismo digital, impactando o fluxo global de dados e a inovação tecnológica.
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