Conjunto de indicadores que demonstram o impacto direto da insuficiência crônica da malha ferroviária brasileira na economia e no meio ambiente. Estima-se que o Brasil perca cerca de US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 284 bilhões) anuais devido a gargalos logísticos estruturais, sendo a hiperconcentração no modal rodoviário o principal fator. Enquanto o custo logístico no Brasil consome aproximadamente 15% do Produto Interno Bruto (PIB), nos Estados Unidos esse índice é de cerca de 8%. Essa diferença de 7 pontos percentuais representa um sobrecusto sistêmico. Em termos de eficiência operacional e energética, o transporte ferroviário consome até 70% menos combustível por tonelada-quilômetro transportada em comparação ao transporte rodoviário de carga.
E daí?
Estes números substantivam a tese de que a ausência de ferrovias não é apenas um déficit de infraestrutura física, mas um drenador contínuo de competitividade nacional. O sobrecusto de 7% do PIB é repassado ao consumidor final e corrói a margem das exportações brasileiras. Além disso, a ineficiência energética do caminhão em relação ao trem multiplica desnecessariamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a dependência de combustíveis fósseis, travando a transição para uma cadeia de suprimentos de baixo carbono e escalável.
O que muda?
De: matriz de transporte desequilibrada e rodovio-dependente, com alto custo por tonelada-quilômetro, elevada emissão de poluentes e perda anual de competitividade na casa dos bilhões de dólares → Para: um sistema intermodal equilibrado, onde a expansão da malha ferroviária absorve a carga de longa distância, reduzindo drasticamente o custo logístico total, a pressão sobre as rodovias e a pegada ambiental do setor. Estágio atual: crítico e estagnado, com a participação ferroviária na matriz de transportes ainda muito aquém do potencial de um país continental, perpetuando o ciclo de ineficiência e oneração da produção.
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