Os conceitos de individualidade e privacidade são pilares centrais da cultura hegemônica ocidental, enraizados em sistemas legais, filosóficos e sociais, e moldam a compreensão de direitos humanos e liberdade.
No entanto, o avanço exponencial das neurotecnologias - com inovações que vão desde interfaces cérebro-computador (BCIs) para auxiliar pessoas com deficiência até dispositivos de monitoramento cerebral para fins comerciais - levanta implicações éticas e sociais e desafia a premissa de que pensamentos, emoções e memórias sejam inacessíveis a terceiros.
Embora ainda incipientes, as pesquisas já permitem inferir intenções simples, reconhecer padrões de ativação cerebral associados a certas emoções ou até reconstruir imagens visuais a partir da atividade cerebral.
Há uma expectativa de que os próximos estágios de desenvolvimento da tecnologia tornem os dados cerebrais vulneráveis à vigilância, comercialização ou até alteração comportamental (tornando o indivíduo refém de um controle exercido por outras pessoas, grupos ou mesmo máquinas).
Novos marcos éticos e legais já estão sendo debatidos por governos e organizações internacionais.
O conceito de neurodireitos – como o direito à privacidade mental, à integridade cerebral e à liberdade cognitiva – pretende estabelecer as bases para lidar com o uso ampliado das neurotecnologias em todos os âmbitos da vida cotidiana, como já aconteceu com a IA.
E daí?
Hoje, pessoas com paralisia já estão testando tecnologia que conecta cérebros ao mundo digital, e apenas com sinais cerebrais conseguem fazer compras online, se comunicar e até usar membros protéticos. P
ara pessoas que não enfrentam questões médicasm os algoritmos preditivos de comportamento já conseguem ter ótima acurácia somente com sinais externos (dados de compras, de deslocamentos, de acessos a serviços digitais), sem necessidade de acessar o cérebro.
No entanto, com o próximo nível de compreensão sobre os neurodados, utilizando tecnologias não invasivas, será possível moldar comportamentos e ideias sem que o indivíduo sequer perceba que a mudança tenha sido “sugerida” por ente externo.
O conceito da autonomia cognitiva do indivíduo sofrerá alterações importantes.
Quando essas tecnologias se tornarem mainstream, os conceitos mais básicos da civilização ocidental terão sido corrompidos, já que os indíviduos não perceberão que suas escolhas estão sendo mediadas por empresas, governos ou líderes religiosos, por exemplo.
Os conceitos de liberdade e privacidade, por exemplo, não terão deixado de existir, mas terão diferentes significados. Fonte (Onde foi encontrado)