A empresa francesa Evaneos, certificada como B Corp, decidiu remover Santorini e Mykonos de suas ofertas de verão. A ação é acompanhada de uma campanha em Paris que associa o turismo massivo à superlotação dos metrôs — invertendo a lógica tradicional da promoção turística. É uma política de "des-listagem estratégica": ao eliminar destinos populares, Evaneos aponta que o verdadeiro luxo será descobrir lugares menos disputados — e menos prejudicados pelo turismo excessivo. Esse movimento desafia a premissa de que marcas de turismo devem oferecer os destinos mais desejados, mesmo que estejam saturados.
E DAÍ?
Se o sinal ganhar escala e/ou distribuição
Agências de viagem, especialmente as comprometidas com sustentabilidade, adotarão uma postura proativa de recusa de lugares sobrecarregados.
Campanhas de sensibilização mostrarão as consequências reais do overtourism — desde infraestrutura esgotada até deslocamento de moradores — e não apenas alternativas mais “exóticas”.
Índices e métricas de pressão turística (como o Overtourism Index da Evaneos/Roland Berger) ganharão peso — motivando escolhas informadas e viajantes mais responsáveis.
Se/quando o sinal se tornar mainstream
Reservas digitais e OTAs poderão desabilitar automaticamente destinos em tempo real, com base em capacidade ou carga turística.
O turismo de valores transitará de um nicho para o mainstream — não mais sobre ‘lugares instagramáveis’, mas sobre impacto social e autenticidade.
Destinos pressionados poderão ser temporariamente “pausados” por decretos públicos ou certificações, forçando uma reengenharia democrática do turismo global.
Esse indicador aponta para uma ruptura cultural no setor de turismo: o ato de escolher não oferecer um destino renomado torna-se um gesto de marca com propósito. “Fazer turismo parecer feio” pode virar argumento de venda — e o padrão de consumo consciente.