Um grupo internacional de cientistas, incluindo laureados com o Nobel, alertou sobre os riscos sem precedentes da criação de "vida espelhada" – organismos sintéticos cujas moléculas são imagens espelhadas das suas contrapartes naturais. Embora ainda não seja uma realidade, o progresso nas tecnologias precursoras torna a sua criação possível em um futuro próximo, levantando sérias preocupações. A vida espelhada, como bactérias, poderia ser construída a partir de nucleotídeos destros e aminoácidos canhotos, opostos à homochiralidade da vida conhecida.
E daí?
A principal implicação é que esses organismos espelhados poderiam evadir os sistemas imunológicos de humanos, animais e plantas, além de escapar de predadores naturais e antibióticos. Isso poderia levar a infecções letais generalizadas e danos ecológicos irreversíveis, com poucas contramedidas eficazes para impedir sua disseminação global. As vantagens terapêuticas ou de biorreatores da vida espelhada não justificam os riscos catastróficos potenciais.
O que muda?
Há um apelo crescente para uma moratória global na pesquisa com o objetivo de criar vida espelhada, com a recomendação de que financiadores não apoiem tal trabalho. Isso poderia reorientar a pesquisa em biologia sintética e biotecnologia para aplicações benéficas de biomoléculas espelhadas (como terapias duradouras), sem o risco de criar organismos inteiros. Governos e organizações internacionais, como a UNESCO, já estão discutindo a necessidade de governança e regulamentação para evitar a criação desses organismos.
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