O QUE:
O projeto Worker‑Owned Intersectional Platforms (WOIP) lançou o relatório de pesquisa‑ação “Worker‑Owned Platforms and Intersectionality: Shared Learnings between Brazil and Argentina”.
O documento é resultado de uma colaboração entre seis organizações autogestionadas de tecnologia e delivery de Brasil e Argentina, que buscam alternativas aos modelos dominantes de tecnologia e trabalho.
As participantes incluem ALT Cooperativa, Cooperativa Central e a federação FACTTIC (Argentina), além de MariaLab, Señoritas Courier e o setor de tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem‑Teto (Brasil). A pesquisa adotou métodos participativos e uma abordagem interseccional – gênero, raça, classe e território – para construir princípios e práticas de plataformas de propriedade de pessoas trabalhadoras.
E DAÍ:
As plataformas cooperativas de trabalhadores desafiam a lógica da gig‑economia, priorizando dignidade e bem‑estar (“vida” em vez de lucro), cuidado antes do código, pluralismo organizacional e comunicação/articulação entre coletivos.
Ao documentar práticas de economia solidária e tecnologias comunitárias, o relatório demonstra que modelos de propriedade coletiva e governança democrática podem criar ecossistemas digitais mais justos e inclusivos, especialmente para grupos marginalizados.
O QUE MUDA:
A expansão dessas plataformas pode descentralizar o controle no trabalho digital, reduzindo precariedade e dando voz às pessoas trabalhadoras.
O relatório destaca conceitos como autonomia (MariaLab), inclusão digital (Central), intercooperação (FACTTIC), soberania digital popular (MTST), tecnologia social (Señoritas Courier) e tecnologias trans (ALT).
Se adotados amplamente, esses princípios podem inspirar políticas de apoio a cooperativas digitais, campanhas como “Hire a Coop” para universidades contratarem cooperativas, e novas pesquisas sobre autonomia, soberania de dados e sustentabilidade econômica.
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