Desde 2022, trabalhadores de artes, cultura e mídia estão se organizando globalmente contra o uso de IA no local de trabalho. O tracker do projeto Creative Labour & Critical Futures (CLCF) da Universidade de Toronto documenta mais de 100 sindicatos e associações em diversos países e setores, incluindo greves e protestos. A greve conjunta da WGA e SAG-AFTRA em Hollywood em 2023 foi um marco, resultando em acordos históricos que restringem o uso de IA generativa por estúdios.
E daí?
As indústrias criativas se tornaram o laboratório avançado das disputas trabalhistas sobre IA, pois a IA generativa impacta diretamente o produto final do trabalho criativo. A greve de Hollywood criou um efeito de demonstração global, mostrando que a mobilização coletiva pode gerar cláusulas contratuais concretas sobre IA, inspirando trabalhadores em outros países e setores. A sistematização acadêmica via tracker do CLCF cria visibilidade transnacional e posiciona a pesquisa como 'governança de IA liderada por trabalhadores', desafiando narrativas corporativas e estatais.
O que muda?
A negociação coletiva sobre tecnologia se torna uma prática regular nas indústrias criativas, com os acordos da WGA e SAG-AFTRA estabelecendo precedentes para o uso de IA. Emerge uma infraestrutura transnacional de solidariedade trabalhista focada em IA, através de redes de conhecimento e ação que cruzam fronteiras. O enquadramento da disputa muda de 'tecnologia vs. emprego' para 'governança de IA como questão de direitos', focando em direitos autorais, soberania cultural e dignidade do trabalho.