[O que é]
A China, tradicionalmente vista como vilã nas emissões tem adotado uma postura cada vez mais ativa e eficaz no combate às mudanças climáticas. O país superou, com sete anos de antecedência, sua meta de 1.200 GW em capacidade de energia renovável prevista para 2030. Além disso, é o maior mercado de veículos elétricos do mundo e uma referência para outras nações que buscam acelerar sua transição energética. Durante décadas, a China foi vista como uma potência reativa, associada à cópia e à escala, mas não à inovação. Essa narrativa está sendo desafiada pela velocidade com que o país adotou e escalou tecnologias verdes. Esse avanço evidencia que a China não apenas acompanha, mas define o ritmo global da transição energética, desafiando a ideia de que a liderança climática está exclusivamente nas mãos do Ocidente.
[E daí?]
Se o modelo chinês de transição energética ganhar escala global, a noção de liderança climática, que hoje está associada a valores e instituições ocidentais, será impactada e ressignificada. O modelo chinês deve influenciar a inovação verde com características como o foco em execução rápida, investimentos estatais massivos e metas ambiciosas com menos dependência de consensos multilaterais. Países em desenvolvimento podem começar a olhar para a China como referência, não apenas em tecnologia, mas em como fazer uma transição verde viável. Empresas ocidentais também terão que se adaptar a padrões regulatórios e industriais moldados por essa nova lógica. No futuro (nem tão distante assim), o olhar poderá ser deslocado do Vale do Silício para Xangai quando o assunto for inovação verde.
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