O que é?
Há um movimento sustentado e crescente, com ondas identificáveis ao longo de seis décadas, em que designers, redatores e profissionais de comunicação visual reposicionam o ofício como ato político e recusam trabalhar para projetos que avançam a homogeneização cultural corporativa. A genealogia inclui o manifesto 'First Things First' (Ken Garland, 1964; relançado em 2000 pela revista Adbusters/Emigre/Eye com mais de 30 signatários proeminentes), o manifesto 'Designers Against Monoculture' (Noah Scalin, 2001), o livro 'Ruined by Design' de Mike Monteiro (2019), o movimento 'Tech Won't Build It' (organizações de trabalhadores de tecnologia em Google, Microsoft, Amazon e Salesforce a partir de 2018 contra contratos como o Project Maven e ICE) e o atual giro decolonial/pluriversal em pesquisa de design — articulado em torno de Arturo Escobar ('Designs for the Pluriverse', 2018), Elizabeth Tunstall ('Decolonizing Design', 2023), Frederick van Amstel e a edição especial de 2024 da CoDesign sobre pluriversalidade. O eixo conceitual comum é o reconhecimento do designer como gatekeeper da comunicação e da materialização de mundos, com responsabilidade direta sobre o que perpetua.
E daí?
A tendência migrou do plano panfletário (manifestos individuais e coletivos) para três frentes operacionais simultâneas: (1) organização sindical e ação direta no setor tech, com poder real de cancelar contratos corporativos; (2) institucionalização acadêmica via design decolonial/pluriversal em programas de pesquisa, conferências (DRS, PDC, CoDesign) e periódicos indexados; (3) reformulação de códigos profissionais (AIGA Standards of Professional Practice incluem cláusula explícita de recusa de instruções antiéticas). Para clientes corporativos, isso significa risco crescente de rejeição de briefings, perda reputacional em recrutamento e necessidade de explicitar postura ética para atrair talento qualificado. Para o setor público e ONGs, abre janela de captura de profissionais antes alocados em consultorias premium.
O que muda?
O design deixa de ser tratado como serviço neutro e passa a ser explicitamente reconhecido como ato político — com consequências práticas em contratação, formação, jurisprudência profissional e legitimidade pública. A monocultura corporativa global perde o monopólio sobre os melhores talentos da comunicação visual, e emergem nichos significativos de prática ancorados em comunidades locais, conhecimentos indígenas, movimentos sociais e setores cooperativistas. Surge também tensão produtiva sobre os limites da responsabilidade individual versus estrutural — o designer pode recusar, mas o sistema continua produzindo a demanda.",
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