A entrada em vigor do AI Act da União Europeia classificou as aplicações de Inteligência Artificial usadas para avaliação de riscos, precificação (underwriting) e processamento de sinistros em seguros de Vida e Saúde como sistemas de "Alto Risco". No contexto do mercado global de seguros, essa regulação atua como um motor de mudança estrutural, impondo exigências rigorosas de transparência, mitigação de viés algorítmico, uso de dados representativos e supervisão humana obrigatória. Isso força as seguradoras a desviarem orçamentos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) focados em inovação de produtos para a criação de pesadas estruturas de governança de IA, auditoria de modelos e conformidade regulatória.
E daí?
A regulação redefine a velocidade e a direção da inovação no setor. O alto custo de compliance (estimado em até 17% dos orçamentos de IA) pode sufocar startups de InsurTech e fazer com que grandes seguradoras desacelerem o lançamento de produtos hiper-personalizados baseados em dados de saúde e wearables, por medo de sanções ou de serem forçadas a revelar propriedade intelectual em auditorias. Por outro lado, cria um fosso competitivo: apenas instituições com capital robusto para sustentar a governança de IA conseguirão operar na fronteira tecnológica na Europa e em mercados que adotarem padrões similares.
O que muda?
De: inovação ágil e experimental em underwriting e precificação dinâmica baseada em dados alternativos → Para: inovação altamente regulada, auditável e centrada em privacidade (como uso de dados sintéticos e aprendizado federado) para evitar penalidades sistêmicas. Estágio atual: acelerando, com seguradoras globais correndo para adaptar seus frameworks de governança antes da aplicação integral das multas.