No Dubai Future Forum de novembro de 2025, o CEO da Dubai Future Foundation (DFF), Khalfan Belhoul, introduziu o conceito de Potencial Cognitivo Nacional (NCP, na sigla em inglês): um indicador da capacidade de uma nação de sustentar atenção profunda, interpretar complexidade e manter laços sociais que permitam pensar e agir coletivamente com velocidade. É a única ideia inteiramente nova da edição 2026 do The Global 50 — todas as demais 49 oportunidades foram revisitadas de edições anteriores. Hoje não existe nenhuma medida de NCP; o conceito pousa sobre terreno institucional em movimento: em março de 2025, a ONU atualizou o Sistema de Contas Nacionais (SNA, o padrão global de contabilidade econômica) pela primeira vez desde 2008, passando a tratar dados e IA como ativos distintos; e em maio de 2026 o Grupo de Especialistas de Alto Nível da ONU publicou o relatório "Counting What Counts", propondo um painel voluntário de indicadores além do PIB, incluindo capital social — dimensão que a DFF aponta como possível estrutura mensurável para o potencial cognitivo. A motivação é empírica: há indícios de correlação negativa entre uso frequente de IA e capacidade de pensamento crítico, e evidências de longo prazo de que um desvio-padrão a mais em testes de matemática, leitura e ciências se associa a dois pontos percentuais adicionais de crescimento anual do PIB per capita ao longo de 40 anos.
E daí?
Se a atenção e o raciocínio coletivo virarem variáveis de competitividade nacional, políticas de educação, desenho de plataformas digitais e até regulação de mídias sociais passam a ser lidas como política industrial. Premissa desafiada: que a capacidade produtiva futura de uma nação é adequadamente capturada por PIB, produtividade e estoques de capital físico ou natural — tratando a capacidade cognitiva coletiva como um dado de contexto, e não como um ativo mensurável, degradável e gerenciável.
O que muda?
De: competitividade nacional medida por output econômico e dotada de capital humano tratado como estoque estático → Para: indicadores de progresso que incluem a qualidade da atenção, das redes e do raciocínio coletivo como ativos nacionais estratégicos. Estágio atual: nascente — conceito de uma única instituição, sem métrica consolidada, mas ancorado num processo multilateral real (o painel Beyond GDP da ONU, com relatório anual recomendado a partir de 2027).
Se sinal crescer
O NCP poderia migrar de conceito de fórum para instrumento de governança: entrar em ratings soberanos e decisões de investimento, inspirar políticas de "higiene cognitiva" (proteção da atenção em escolas e ambientes de trabalho) e redesenhar indicadores de desempenho educacional. Os riscos, apontados pelo próprio relatório, incluem desvalorização de trabalhos essenciais não cognitivos (cuidado, trabalho braçal), dependência excessiva de IA como pré-requisito em vez de facilitador, e homogeneização do pensamento (groupthink) medido como se fosse coesão.
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Organização das Nações Unidas