A inteligência artificial (IA) está a causar um fenómeno de 'deskilling', onde profissionais perdem competências tradicionais devido à sua crescente dependência de ferramentas automatizadas. Isso é observado em áreas como a medicina, onde médicos podem se tornar menos hábeis sem assistência de IA, e na educação, com a potencial redução do pensamento crítico entre estudantes. O briefing do POST do Parlamento do Reino Unido aponta que a IA mais frequentemente altera tarefas e aumenta capacidades do que substitui empregos inteiros, mas funções de maior remuneração podem estar mais expostas.
E daí?
Esta erosão de competências é uma preocupação significativa, pois pode atrofiar capacidades cognitivas e sociais humanas essenciais, como o julgamento, a tomada de decisões e a empatia, potencialmente minando a confiança e a segurança em contextos críticos. Embora a automação possa eliminar tarefas rotineiras e democratizar o acesso a certas profissões, há o risco de enfraquecer a capacidade individual e institucional de gerir imprevistos e manter a autonomia. A evidência de perdas líquidas de emprego devido à IA é limitada, e os impactos na produtividade são variados, dependendo da qualidade da integração.
O que muda?
Os fluxos de trabalho estão a ser redefinidos, com as competências humanas a migrar da execução direta para a supervisão, avaliação e refinamento das saídas da IA. Novas competências, como a capacidade de 'prompting', detecção de vieses e validação de informações geradas por IA, estão a tornar-se cruciais, exigindo a adaptação de sistemas educativos e de formação. É imperativo que as organizações implementem designs institucionais que preservem e cultivem as capacidades humanas fundamentais, como a imaginação e a criatividade, para evitar uma 'deskilling constitutiva' que altere a própria natureza do ser humano no trabalho.
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