Uma transformação está ocorrendo na cultura global, que está migrando de um eixo dominante centrado nos EUA para uma rede multipolar. Polos como Índia, Nigéria, países árabes, América Latina e Sudeste Asiático estão conquistando audiência e legitimidade significativas. Isso implica que conteúdos não-estadunidenses estão cada vez mais presentes no cotidiano global, moldando referências de pertencimento e prestígio.
E daí?
Essa mudança reconfigura o conceito de soft power e as identidades culturais em escala global, reduzindo a centralidade simbólica dos EUA. Consequentemente, há uma ampliação da diversidade de padrões estéticos e narrativos, e novas elites culturais regionais são fortalecidas, ganhando capacidade de estabelecer suas próprias agendas e influências.
O que muda?
O sinal desafia a premissa de que a "cultura global" precisa ser, principalmente, hollywoodiana/estadunidense para ter legitimidade, alcance e prestígio. Ele pode escalar e impactar as percepções de status e influência sociocultural de países emergentes, os padrões de consumo cultural e a formação de gostos, e as políticas de diversidade/representatividade nas indústrias criativas. Quando o sinal chegar ao mainstream, a ideia de "cultura global" como sinônimo de valores e estética norte-americanos nunca mais será a mesma.